Crise ou Oportunidade de Vencer Desafios - Uma Perspectiva Sob o Olhar da Engenharia
Revista Projeção - Março/Abril de 2009
 
Que tempo realmente estamos vivendo? Eis um dilema: para alguns, diga-se de passagem, sua maioria, tempos ruins, causados pela incompetência de outros (que coisa absurda isso!), para outros, nesse contexto, se encaixa o empresário brasileiro, que com sua tenacidade, arrojo e perseverança, tem demonstrado competência para vencer esses “obstáculos”, naturalmente não vistos como tal, mas sim, conforme algumas definições de nosso dicionário da língua portuguesa: crise, s. f..Momento decisivo; ponto de transição entre uma época de prosperidade e outra de depressão ou vice-versa. Tomo a liberdade de aqui enfatizar, de que, o que norteia essa facção é justamente esse “vice-versa”, altero assim a definição de nosso grandioso dicionário: ponto de transição entre uma época de depressão e outra de prosperidade, sim, exatamente isso é o que ocorre e, é assim que esses grandes homens saem desses momentos, mais reforçados e revigorados e, é assim que contemplamos esse horizonte de oportunidades, sob o olhar, apesar de suspeito, da Engenharia.
Com base no que experimentamos diariamente, o fator que mais compromete, qualquer segmento na sociedade, é o financeiro, forçando a todos tomarem medidas inesperadas que contrariam, sentimentos, desejos, conforto e tranqüilidade, e é justamente aí que a natureza humana aflora, tudo que vai contra isso é ruim, é negativo, é nocivo. Está implantado o sentimento perigoso, que preferimos chamar de crise. A partir daí, desencadeia, de maneira contagiosa, uma avalanche de ações, sem qualquer análise de impacto, estrutural, social, talvez a pior delas, dentre outras, desde que sejam as mais fáceis e rápidas. Na realidade, equivocados, estão perdendo grandes oportunidades de mostrarem seu próprio potencial e valor – por sorte isso não é uma regra! Vejamos algumas “pequenas” ações, que podem resultar em grandes conquistas e mudanças de hábitos, ah, isso nos faz lembrar um grande filósofo clássico: Aristóteles, onde sabiamente, a 2.400anos atrás, disse: “Somos uma consequência daquilo que fazemos repetidamente; excelência, então, não é um ato, mas sim um hábito”.
Qual foi o resultado, imposto pelo racionamento de energia elétrica em 2001? Grandes mudanças de posturas, que mais tarde tornou-se hábito para muitos, uso mais racional da energia, redução de desperdícios em todos os segmentos, seja residencial, comercial e indstrial. Percebemos o quão perdulário éramos, diga-se de passagem, que ainda somos, mas melhoramos muito. Passamos a economizar mais energia, com isso reduzimos despesas e custos – quem assim o fez, sabe o que significa, em seu orçamento mensal.
Isso é apenas uma parte das “n” soluções que podem ser geradas, em ambientes que usam energia elétrica, sejam eles atendidos em baixa tensão como em média tensão. Eis, mais alguns desafios que propomos a esses arrojados, tenazes e perseverantes homens; grandes responsáveis por uma qualidade de vida mais digna de nossa sociedade:
1. Conclame seus colaboradores, a desenvolverem hábitos racionais quanto ao uso de energia elétrica. Ainda que não seja, uma grande empresa, crie uma CICE (Comissão Interna de Conservação de Energia), onde fique claro e explícito, que as reduções obtidas, serão usadas para a manutenção de um posto de trabalho, ou coisa parecida, mas que isso seja revertido para o fortalecimento da empresa nesse período de oportunidades e desafios;
2. Caso não tenha, busque a ajuda de um profissional, da área, seja ela elétrica, mecânica, civil, etc, para um diagnóstico específico, para identificação dos pontos fortes de economia; na área de elétrica podemos ilustrar alguns potenciais pontos:
- Melhoria do fator de pot ência, ou seja, a compensação da energia reativa demandada à concessionária, mediante a instalação técnica e racional e acima de tudo controlada, de capacitores, por meio de dispositivos de última geração. Cuidado, existe um velho ditado popular, que não deve ser desconsiderado na hora de uma tomada de decisão: esmola demais o santo desconfia – ninguém vem bater a sua porta para trazer uma coisa boa, ninguém faz milagre de graça! QUALIDADE tem preço, não se deixe enganar!
- Melhoria do fator de carga, conseguido por um bom controlador de demanda. Esses equipamentos, além de controlarem a demanda de energia elétrica de uma instalação, também controlam o fator de potência bem como permitem uma supervisão e gerenciamento de todo o sistema elétrico;
- Nas linhas de processos contínuos, a automação é um grande aliado, elevando a produtividade a níveis bastante competitivos.
3. Associado a grande necessidade de adequar à nova realidade ambiental, onde a madeira, cada dia mais, torna-se um patrimônio mundial, novos hábitos devem ser adquiridos, como é o caso da queima do cavaco, de pinho ou eucalipto, totalmente renováveis, e ecologicamente corretos, bagaço da cana, palha e sabugo do milho, casca de arroz, apesar de que parte deles, para nossa região não é mais algo comum. Para isso citamos na indústria cerâmica, os processos de queima controlados e totalmente automatizados, resultando em produtos de melhor qualidade e com menores custos de produção;

4. Empresas que precisam trabalhar, continuamente, ou seja, 24 horas dias, 7 dias por semana, experimentam tarifas de energia, no chamado horário de ponta, das 18:00 às 21:00 horas, em nosso sistema Cemig, muito elevadas se comparadas ao segmento complementar, na ordem de 300% a 1000%, podem optar por geração própria, através da instalação de Grupos Motores Geradores, GMG, à diesel, para algumas regiões centrais, operam com o GN, gás natural, que conseguem reduções, dependendo dos processos, de até 35% no custo final com a energia elétrica. Reitero: são estudos que devem ser conduzidos por profissionais que assegurem que esta economia não é ilusória ou temporária, pois os investimentos são consideráveis. Hoje temos um segmento que incorporou e está muito satisfeito com os resultados, que é o segmento de supermercados;

5. Desenvolvimento de programas de manutenção seletiva, preventiva e corretiva, gerando assim uma maior vida útil dos equipamentos e máquinas, evitando paradas indesejadas e altamente prejudiciais a marca da empresa – não é a ponta do iceberg que incomoda, mas sim a porção que está submersa; foi essa porção que afundou o grandioso Titanic. Não é o preço de rebobinar um motor, mas o tempo de fábrica parada, o atraso na entrega, o custo adicional de produção, dentre outros.
Para finalizar, não foi desejo de quem ora escreve, dar ou gerar soluções pré-formatadas para quem se dignou a ler até então, muito pelo contrário, apenas aguçar o espírito empreendedor e provocar a uma reflexão e análise do quão profunda estão suas raízes, como é o caso do bambu chinês, para enfrentar, todas as tormentas, desencadeadas por variáveis intrínsecas ao desenvolvimento da humanidade, aqui traduzidas em desafios em oportunidades, o que o tornará cada dia mais resistente.
 

Eronides Alves de Oliveira - Engenheiro Eletricista

Sócio Proprietário da Eletrotil Engenharia

Professor de Engenharia na FEIT-UEMG

 
   
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